CHAMA DE AMOR VIVA
Ó chama de amor viva
que com ternura feres
no centro mais profundo da minh’ alma!
E se já não és esquiva
termina se quiseres
e rompe a teia deste doce encontro!
Ó cautério suave!
Ó chaga deleitosa!
Ó branda mão! Ó toque delicado
que sabe a vida eterna
e paga qualquer dívida;
que, matando, trocaste a morte em vida!
Ó lâmpadas de fogo
em cujos resplendores
as profundas cavernas do sentido,
que estava escuro e cego
com primores estranhos
calor e luz ao seu querido dão!
Quão manso e amoroso
recordas no meu seio
onde secretamente apenas tu existes,
e em teu gostoso anelo
cheio de bem e glória,
como tão ternamente me apaixonas!

San Juan de la Cruz
Traducción: António Salvado